Não foi por acaso que o dia da Luta da Pessoa com Deficiência, instituído pela Lei Nº 11.133, de 14 de julho de 2005, coincide com o dia da árvore. Esta conciliação de datas tem como objetivo lembrar que, naquele dia nascia oficialmente a luta por direitos daqueles que até então não eram contemplados.

Em nossa sociedade é comum escolhermos datas e meses para honrarmos os símbolos pátrios, venerar os santos, comemorarmos vitórias, lembrarmos de batalhas, de lutas sociais para combater desrespeito, violência, preconceitos e outros. Segundo pesquisa realizada pelo Instituo Brasileiro Geográfico de Estatística (IBGE), em 2010, cerca de 45 milhões de brasileiros, que corresponde a 24% da população, possui algum tipo de deficiência, com isso, separar um dia para lembrar e lutar pelos direitos deste grupo de pessoas, parece pouco diante de tantas reivindicações.

Como sabemos, graças a promulgação da Lei Nº 11.133/2005 e a luta de milhões de pessoas como Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Malala Yousafzai, Maria da Penha e tantos outros que deram suas vidas em busca de melhores condições para terem os seus direitos atendidos, no Brasil já é possível perceber os frutos desta árvore de diretos sendo colhidos como o direito à saúde, ao transporte à educação, à acessibilidade, à ciência e a tecnologia. Porém, a luta continua tendo em vista outros acessos que ainda não estão disponíveis e que precisam ser regados por meio de novas lutas para frutificarem.

Neste contexto, ao escolhermos um dia específico para comemorar, corremos o risco de nos esquecer que estas pessoas, com suas diferenças tem necessidades diárias, alegrias e tristezas que precisam ser ouvidas e atendidas para que seja possível na prática

a instituição da cidadania. Partindo deste princípio o Instituto IBGPEX, cumprindo diariamente sua missão de promover a inclusão social por meio da educação, durante uma de suas atividades com os colaboradores da turma de Qualificação Vinculada, convidou seus membros a fazerem um desenho respondendo à seguinte questão: “o que é o homem?”. Dentre as mais diferentes e criativas respostas o desenho feito pela colaboradora kendi Rodrigues, que tem baixa visão, nos ajuda a compreender esta vastidão de sentimentos e emoções, positivas e negativas que permeiam e constroem estes homens e mulheres, ao mesmo tempo tão semelhantes e tão singulares que nos fazem perceber que todo dia é “D”; de lutar, de chorar, de se alegrar, de comemorar… e principalmente de recomeçar e de tentar fazer hoje mais e melhor do que fizemos ontem.

Autor: Prof. Leandro Prado – IBGPEX
Doutorando em Educação pela PUC-PR

Autora: Colaboradora Kendi Rodrigues